Raffaello Sanzio da Urbino, conhecido em português como Rafael Sanzio, nasceu em 6 de abril de 1483, na cidade de Urbino, um importante centro cultural do Renascimento italiano. Filho de Giovanni Santi, pintor da corte do duque de Urbino, Rafael cresceu em um ambiente artístico e humanista, onde a pintura, a poesia e a filosofia eram valorizadas. O período renascentista na Itália era marcado pela prosperidade de algumas cidades-estado, pelo patrocínio das artes e pelo florescimento de novas ideias, impulsionadas pelo humanismo e pela redescoberta da cultura clássica greco-romana.

Aos 11 anos, Rafael ficou órfão de pai e mãe, mas herdou o ateliê paterno, dando início a uma precoce carreira artística. Entre 1494 e 1500, estudou em Perugia com Pietro Perugino, de quem herdou a clareza compositiva e a harmonia nas figuras. Suas primeiras obras conhecidas, como O Casamento da Virgem (1504), já revelavam o equilíbrio e a delicadeza que se tornariam marcas de seu estilo.

Por volta de 1504, Rafael mudou-se para Florença, onde conheceu o trabalho de Leonardo da Vinci e Michelangelo. A influência desses mestres o levou a desenvolver maior expressividade e realismo em suas pinturas. Entre 1504 e 1508, produziu obras como Madonna do Prado e Madonna do Cardo, que combinam delicadeza, luz suave e composição equilibrada.

Em 1508, foi chamado a Roma pelo papa Júlio II para trabalhar no Vaticano. Lá, realizou suas obras mais célebres: os afrescos das Salas de Rafael, incluindo A Escola de Atenas (1509–1511), que se tornou um símbolo do pensamento renascentista, reunindo filósofos e cientistas da Antiguidade em um espaço arquitetônico grandioso. Rafael também se destacou como arquiteto, sendo nomeado arquiteto-chefe da Basílica de São Pedro em 1514.

Além da pintura e da arquitetura, Rafael foi um importante retratista, criando imagens memoráveis como Retrato de Baldassare Castiglione (1514–1515) e La Fornarina (c. 1520), possivelmente retratando sua companheira Margherita Luti. Sua carreira, porém, foi interrompida precocemente: Rafael morreu em 6 de abril de 1520, no dia de seu aniversário de 37 anos. De acordo com relatos da época, sua morte foi causada por uma febre súbita, possivelmente pneumonia ou febre tifóide; versões lendárias atribuem a causa ao excesso de trabalho ou a uma vida amorosa intensa.

Rafael foi enterrado no Panteão de Roma, com honras raramente concedidas a artistas. Sua obra, marcada pela harmonia, pela perfeição formal e pela beleza idealizada, influenciou gerações e consolidou seu nome como um dos três gigantes do Alto Renascimento, ao lado de Leonardo e Michelangelo.

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Referências

Vatican Museums. “Raphael – Biography.” Disponível em: https://www.museivaticani.va.

Shearman, John. Raphael. Yale University Press, 1994.

Beck, James H. Raphael. Harry N. Abrams, 1976.

Jones, Roger; Penny, Nicholas. Raphael. Yale University Press, 1983.

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