
O Fauvismo foi um movimento artístico de vanguarda que surgiu na França no início do século XX, entre 1904 e 1908, e teve seu auge em 1905. O termo “fauvismo” vem do francês fauves, que significa “feras”, apelido dado por críticos de arte que consideraram agressivo e selvagem o uso de cores pelos artistas desse grupo. A primeira grande aparição do movimento foi no Salon d’Automne de Paris, em 1905, quando obras de Henri Matisse, André Derain e Maurice de Vlaminck chocaram o público por suas cores intensas e...
O contexto histórico do Fauvismo está ligado ao início do século XX, período de profundas mudanças sociais e políticas. A Revolução Industrial havia transformado as cidades e a vida cotidiana, e a França vivia a Terceira República (1870–1940), marcada por avanços científicos, expansão colonial e debates políticos intensos. No campo cultural, havia uma busca por liberdade criativa e ruptura com o academicismo tradicional.
Os fauvistas se inspiraram no Pós-Impressionismo de artistas como Vincent van Gogh e Paul Gauguin, especialmente no uso expressivo da cor, mas levaram essa abordagem ao extremo, aplicando tintas puras e contrastantes diretamente sobre a tela, sem preocupação com a representação realista da natureza. O objetivo era transmitir emoções e sensações por meio da cor, e não reproduzir fielmente o que se via.
Henri Matisse, considerado o líder do movimento, defendia que a arte deveria trazer prazer e liberdade visual. Obras como A Alegria de Viver (1905–1906) mostram essa explosão de cores e formas simplificadas. André Derain, por sua vez, explorou paisagens vibrantes, como em Charing Cross Bridge (1906), influenciado pelo contato com Londres e pela luz particular de cada local retratado.
Politicamente, o Fauvismo não teve caráter de protesto social direto, mas simbolizou uma rebeldia estética contra as convenções acadêmicas, refletindo um espírito de modernização cultural e de ruptura com o passado. Essa liberdade plástica acabou influenciando movimentos posteriores, como o Expressionismo e o Cubismo.
Apesar de sua curta duração — sendo considerado encerrado por volta de 1908 —, o Fauvismo foi essencial para a história da arte moderna, pois consolidou a ideia de que a cor poderia ser usada de forma autônoma, independente da forma e da realidade visível, para expressar sentimentos.
Referências
DERAIN, André. Correspondance. Paris: Gallimard, 1994.
SPIES, Werner. Fauvismo. Köln: Taschen, 2000.
ELDERFIELD, John. Henri Matisse: A Retrospective. New York: Museum of Modern Art, 1992.
COWLING, Elizabeth. The Wild Beasts: Fauvism and Its Affinities. Londres: Tate Gallery, 1990.


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