
O Expressionismo foi um movimento artístico que surgiu oficialmente na Alemanha no início do século XX, entre 1905 e 1930, embora suas raízes remontem a tendências do final do século XIX. Sua principal característica era colocar a expressão dos sentimentos e da visão interior do artista acima da representação fiel da realidade. Ao invés de copiar o mundo externo, os expressionistas distorciam formas, exageravam cores e traços para transmitir emoções intensas como angústia, medo, euforia ou esperança.
O contexto histórico do Expressionismo foi marcado por transformações profundas. Na virada do século XIX para o XX, a Europa vivia um rápido avanço industrial e urbano, acompanhado de mudanças sociais e políticas. Na Alemanha, o período do Kaiser Guilherme II (1888–1918) buscava fortalecer o país como potência militar e econômica, mas havia tensões internas ligadas às desigualdades sociais. Pouco depois, a Primeira Guerra Mundial (1914–1918) e suas consequências — como a instabilidade da República de Weimar...
O Expressionismo se dividiu em dois principais grupos na Alemanha: Die Brücke (“A Ponte”), fundado em 1905 em Dresden por Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel, Karl Schmidt-Rottluff e Fritz Bleyl, e Der Blaue Reiter (“O Cavaleiro Azul”), fundado em 1911 em Munique por Wassily Kandinsky e Franz Marc. Enquanto o Die Brücke explorava cenas urbanas, corpos nus e paisagens com traços agressivos e cores vibrantes, o Der Blaue Reiter tinha uma abordagem mais espiritual e simbólica, buscando expressar verdades uni...
No Expressionismo, a técnica era livre e subjetiva. As figuras humanas eram muitas vezes deformadas, as perspectivas propositalmente distorcidas, e as cores aplicadas de maneira não realista. Esse afastamento da representação fiel se inspirava parcialmente em artistas como Vincent van Gogh e Edvard Munch, que já buscavam transmitir emoção mais do que realidade objetiva. Além da pintura, o Expressionismo se manifestou também na literatura, no teatro, no cinema e na arquitetura. Filmes como O Gabinete do ...
Após a ascensão do nazismo em 1933, o Expressionismo foi rotulado como “arte degenerada” (Entartete Kunst) pelo regime de Adolf Hitler, e muitas obras foram confiscadas ou destruídas. Apesar dessa perseguição, sua influência se espalhou pelo mundo, inspirando movimentos modernos e contemporâneos que continuaram a valorizar a subjetividade e a liberdade criativa.
Em síntese, o Expressionismo foi uma ruptura com a tradição e um grito artístico diante de um mundo instável e em transformação. Ao colocar o sentimento no centro da criação, abriu caminho para novas formas de expressão e ajudou a moldar a arte moderna.
Referências
BARRON, Stephanie. German Expressionism: Art and Society. London: Thames & Hudson, 1997.
LLOYD, Jill. German Expressionism: Primitivism and Modernity. New Haven: Yale University Press, 1991.
GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2013.
MOMA – Museum of Modern Art. German Expressionism. Nova York: MoMA, 2024. Disponível em: https://www.moma.org


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