Marcel Duchamp nasceu em 28 de julho de 1887, em Blainville-Crevon, na Normandia, França, em uma família de classe média ligada à cultura e à arte. No final do século XIX, a França vivia a Terceira República, marcada por estabilidade política relativa e intenso debate intelectual, com Paris como centro mundial das artes. Duchamp cresceu em contato com a pintura e o desenho, influenciado por seus irmãos artistas, Jacques Villon e Raymond Duchamp-Villon.

Em 1904, mudou-se para Paris para estudar na Académie Julian, onde experimentou estilos como o impressionismo e o fauvismo. Nos anos 1910, aproximou-se do cubismo, mas logo rompeu com o rigor formal do movimento, buscando novas formas de expressão. Em 1912, pintou Nu Descendo uma Escada nº 2, obra que misturava cubismo e futurismo, causando polêmica no Armory Show de Nova York (1913) por seu dinamismo e abordagem inovadora.

A Primeira Guerra Mundial (1914–1918) e o clima de questionamento das estruturas tradicionais da sociedade impactaram profundamente sua produção. Duchamp tornou-se figura central do dadaísmo, movimento que rejeitava a arte tradicional e buscava provocar o público. Nesse contexto, criou o conceito de ready-made, objetos comuns retirados de seu uso cotidiano e apresentados como arte, desafiando o significado e o valor artístico. Entre seus ready-mades mais famosos estão A Fonte (1917), um urinol assinado “R. Mutt”, e Roda de Bicicleta (1913).

Em 1915, mudou-se para os Estados Unidos, onde encontrou maior liberdade criativa e ingressou no círculo de artistas e intelectuais ligados à vanguarda. Ao longo das décadas seguintes, continuou a produzir obras enigmáticas, como O Grande Vidro (1915–1923), oficialmente intitulado A Noiva Desnudada por seus Celibatários, Mesmo, que mescla pintura, escultura e narrativa simbólica.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Duchamp ajudou artistas a fugir da França ocupada pelos nazistas, reforçando sua ligação com a resistência cultural. Nos anos 1940 e 1950, embora mantivesse uma postura de aparente afastamento da arte, dedicou-se secretamente ao seu projeto final, Étant donnés (1946–1966), instalado no Museu de Arte da Filadélfia após sua morte.

Marcel Duchamp morreu em 2 de outubro de 1968, aos 81 anos, em Neuilly-sur-Seine, França, vítima de insuficiência cardíaca. Seu legado transformou radicalmente o conceito de arte no século XX, influenciando movimentos como o surrealismo, a arte conceitual e o minimalismo.

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Referências

Philadelphia Museum of Art. “Marcel Duchamp.” Disponível em: https://philamuseum.org.

Cabanne, Pierre. Dialogues with Marcel Duchamp. Da Capo Press, 1987.

Tomkins, Calvin. Duchamp: A Biography. Henry Holt, 1996.

Naumann, Francis M. Marcel Duchamp: The Art of Making Art in the Age of Mechanical Reproduction. Abrams, 1999.

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